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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

erro de continuidade



tenho olhos

que demoram certo tempo
em decifrar não-palavras

um gesto
precisa dos
olhos do corpo
descodificando-os


há que se perder o tempo
quando se tenta -
com olhos do corpo,

decifrar o outro


tenho olhos do momento depois -


e a sintaxe da boca desarticulada
com as despalavras
do corpo




quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Acordou - ainda - naquelas intermitências;


juntou coisas desarticuladas do querer:

saudades

noites claras

sacolas, beijos, pernas

cabelos caídos

esquecidas peças

juras

e desmemórias -



num saco
as coisas desvolumosas
do querer.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Impressão manual sobre o papel


eu tenho que há palavra
descabida do sentido da fala


eu tenho que o silêncio é
a fala habitada de sentido


eu tenho que o silêncio
diz mais


eu tenho que, dizer em silêncio,
dificulta a incompreensão


só que o silêncio
tem todo tempo do mundo

a fala tem o momento exato:
eu tenho que meu silêncio
é um erro da fala
em dias tão desabitados
de sentido.





quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Paulistano.



E refém do que acha que ama,

nesta cidade

Sem: ternos

- abraços

ruídos de carros

demaquilantes

quando a noite cai





* de oficina irritada




domingo, 26 de setembro de 2010

do livro de maria.



Beijei maria dos pés ao início

até trocar a sintaxe de minha boca



Maria chora em redondilhas:

poesia dela sai detrás do olho,

como se perde o infinito na curva -


e a gente mesmo não vê mais,

acha que acabou,

e não vê fim



Para maria fiz um soneto que perdi,

Dizia quase assim :


“de tudo que é eterno serei fraco

antes, com descuido, do que pensado”


até trocar a sintaxe da boca:



na fome insaciável que a gente

tem de si – maria e eu

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Encanto II



a moça gira os cabelos nos dedos olhando para o nada,
tira parte deles que lhe caem
besteira não pensar em sinfonia sincopada
besteira não se perder


penso que os tufos de cabelos desgrenhados não lhe bastariam:


ainda tem todo o começo -


e os olhos.

é dos olhos que sigo por todo o corpo
até chegar nos gestos delicados da moça:


e volto.

Besteira não pensar
que a moça dos gestos delicados
ignora toda a música
e o silêncio indelicado
dos meus olhos


penso em vão em lhe dizer.



....



quarta-feira, 4 de agosto de 2010


Hoje não tenho versos para maria!

nem pra ninguém


me deu mesmo uma loucura
de sair gritando:sou eu:
chutando
esperneando feito criança
correndo feito
cachorro que nunca sai
sem saber se caga ou se mija

sou eu






- mesmo no país de maria

segunda-feira, 26 de julho de 2010




no baile dela eu me perco -

E eu quis meu caos, minha cama -

e é como descrever sua beleza

pelos pés, não pelos olhos

Uma vidinha cotidiana dorme-acorda

em peito outra vez aberto -

nem carma, nem calma

uma carne outra vez crua

seu sexo no meu cais

árvore centenária de raízes expostas

sem sono descanso cansaço

embebidas

ela

eu



(de oficina irritada)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Fim de romance




resta:
correr de volta pra casa
sozinha

o som dos carros
o teu cheiro, ainda:
melodia


perdida no céu da tua boca
e na menina dos seus olhos:
sinfonia


o corpo
o ventre e
a cama vazia


Depois como em toda novidade:
última vez
- mostrar-se fria

e em outros braços - tua -
em mil afagos, estrelas, e ainda:
mostrar-se crua



terça-feira, 22 de junho de 2010






eu cavei um buraco no fundo do céu

tem um jeito pra uísque que não se aprende nos trópicos:

só no escuro.



pelas veias da cidade,
eu corro os olhos
fechados por mim


abro uns braços no coração do país que inventei.

que me leve o sono
e a casa vazia


um trago

um copo d'água

e um deus

quarta-feira, 26 de maio de 2010







eu tenho que poesia você mastiga

amarga no começo que é o fim

e doce no fim que é começo:

- da língua:




falho um poema




quinta-feira, 19 de novembro de 2009


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No tempo em que se desconhecia

o perigo de soltar balões:

formigas esticavam o horizonte em fila

a rua em pernas fazia o mundo

quarteirão era país

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gente subia ao mercado comprar mistura

tinha surra merecida de traquinagem

tinha trecos que pensavam coisas

e coisas que a gente nem sabia -

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ontem, nem sabia como virar trecos em coisas:

as esquinas se desdobram infinitas até o inicio -

a gente anda e anda:

uma fila de pessoas não alarga a paisagem

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tinha uns muros intransponíveis e pernas possíveis

do tempo em que terrenos baldios

serviam pra soltar balões



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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

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De quando a noite caísse ou
o livro de Maria.


Guardar-te como a menina dos meus olhos,

- só pra não deixar o mato crescer no terreno baldio,

a gente mesmo sabe os desvãos


lá,
eu tinha aquele estatuto de bastar


enquanto eu era uma pessoa espessa
de caladas
de canto de olho
de boca cheia de dentes


Maria dança em roda da lua
de narizes dados comigo

e mãos procuras.


A gente não estava nada não

dava vontade de entrar no vazio -


Maria e eu

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

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Parece que é preciso recomeçar por desmoroneos:


o caos na boca


e o corpo no abandono.

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quinta-feira, 28 de maio de 2009

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A palavra exatamente

para despir Maria

não seria um verbo

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Não seria exatamente

maria

se fosse só movimento

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Não.

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ontem maria não me disse,

foi eu quem inventei

- tem calma!

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mas maria é meu país

ainda que solilóquio.





terça-feira, 24 de março de 2009


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O primeiro cemitério que conheci

foi a saudade.


Mas o morto e a dor daquele morto
não eram meus.

Em casa como costume:
não se pisa com mesma sola
de pés de cemitério


Minha avó com intimidade
Chama – o só de
Saudade

Despede-se do morto
Como num rito
- eu ainda estou aqui.

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