Páginas

terça-feira, 25 de março de 2008

_
_
_
_


Quando a chuva passou.

_

Quando a chuva passou,

isso foi hoje pela manhã

subiu um cheiro de terra molhada

do que sobrou de terra no quintal

(canteirinho minguado).



lembro do encardimento

do barro nas peças brancas,

do azul anil da água

antes da roupa quarar ao sol


- e das broncas.


e de quando desenhava um sol

com giz de construção

para depois da chuva

secar o quintal

mexer no barro para

fazer lama.




Quando a chuva passou,

sobraram algumas poças

umas paredes molhadas

tristeza boa de lembrança.



em dias de chuva

espreitávamos da janela

a chuva molhar as roupas

do varal,

enquanto desesperada

a mãe corria acudir

a roupa branca.


a mãe precipitava

engraçada

arrancando as

roupas do varal

a gente se ria,

e morria de medo

de a mãe ver que riamos.



Quando a chuva passou,

-Saí do abrigo da marquise ,

agora é um medo,

coisa de correr da chuva

e correr

para algum lugar.

Coisa que não se tem em

criança.



Quando chovia,

a gente queria mesmo

era se molhar.



-

-

-

-