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sexta-feira, 3 de junho de 2005





Fragmentos.
Sobre o que quer conversar, pensa, mas não há ninguém por perto, fala sozinho, em silêncio, que é para ficar ainda mais introspectivo.Sentado, agora, não que estivesse andando, desconhece o estado anterior de ser, a um minuto atrás o que era, não sabe, não guarda no bolso o esboço do minuto atrás.
Não que precisasse desse minuto atrás, na verdade desconhece a necessidade do antes.O antes é para ser esquecido entre as linhas de um livro já lido. Como se cada pagina lida, levasse consigo o momento. Sabe que elas levam, buscar na releitura o momento esboço, é impossível.
Distingui no olhar alheio o interesse, não sabe lidar com isso, refúgio no silêncio e na não palavra, frases que nunca dizem nada, virando a página antes do último parágrafo.
Tentativa, dormir: e deitado, buscar o sono ao tentar compreender o dia.O acumulo de tentativas, todos os dias, após algumas horas, leva ao sono.Um olhar desfocado sobre as cores, a cor de brilho mais intenso sempre prevalece.Tentar diferenciar no borrão quem brilha mais.O mundo? O mundo é cinza, e o sono cai, cerram-se os olhos, um após o outro, como cai uma cortina empoeirada num teatro abandonado.O espetáculo do mundo.Desenhar a mão livre um circulo e ver que ele é sempre torto.
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Encontro um universo colide falar de coisas maiores não significa ser maior

As cores mescladas nas ruas, em velocidade, borrão.Pelo contraste é que se conhece, distinguir das coisas o que é primeiro, imediato ou o que será necessário. Hoje o dia acordou cinza e liquido, o transito não espera a resolução, age pela ameaça. Nos carros fechados os vidros embaçam: ver os rostos sem foco através.Uma pessoa passa a flanela por dentro, por pouco tempo é um rosto, desconhecido.
No ponto - meio liquido- da o sinal, entra meio liquido pelo corredor prestes a virar gás, todos respirando juntos o ar de desfaz, abrem-se em fresta algumas janelas e vão todos ficando mais sólidos.A chuva aperta cerra-se o ar, constante tosse à esquerda, em pedra alguém dorme agarrado ao ferro, os vidros se embaçam, desenhar neles um novo mundo, passar a mão e ver o carro ao lado.


Nascem fragmentos
de poemas e pessoas
num mesmo intervalo